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    September 30

    Irritação à vista (horóscopo de hoje)

     

    Durante esse período provavelmente irá se sentir ofendido, ferido ou ignorado. Por isso, tenderá ao recolhimento, evitando que os outros se aproximem de você. Ao mesmo tempo, mesmo que esteja em baixa, você deseja participar, gozar a vida, amar e ser amado, todavia, não alimente altas expectativas sobre si mesmo a respeito dessas coisas. Possivelmente estará pensando em isolamento e renúncia para conseguir superar tudo. Nesse caso, não mergulhe em sua dor porque isso não tornará as coisas mais fáceis. Certamente descobrirá que o comportamento das outras pessoas não foi intencional e que a presente situação apenas reflete sua própria sensibilidade.

    September 25

    RELEITURA DE UM E-MAIL POLICIAL

    ...ela estava voltando da faculdade, quando ouviu um bebê chorando dentro de uma construção... ela entra, se aproxima da criança, recebe uma tigelada na cabeça e começa a cantar “I will survive”, mal sabia ela que tinha desmaiado.

     

    Algumas horas depois, se encontrava vendada no porta-malas de um carro em movimento. Aliás... de que serviria o carro se não a levasse ao próximo palco, à próxima grande aventura de resgate musical? Depois de um tempo, em um galpão, ainda vendada, colocaram-lhe um pano - contendo uma substância química - em seu nariz e boca. Foi quando ela percebeu que era uma mártir... o mundo conspirava contra si mesmo tirando dela o que ele mais precisaria de suas habilidades, o paladar. O pano era puro vinagre.

     

    A família, tendo recebido um pedido de resgate, reagiria bem? Como a quantia seria paga? Será que alguém a jogaria amarrada, em plena madrugada, em frente sua casa? Tudo indica que eles já a perseguiam. Enquanto esses pensamentos corriam por sua mente, sua mãe dormia feito um anjinho... chacoalhando o esqueleto sonâmbulo com Jonh Travolta.

     

    A família encontraria uma estranha cicatriz na barriga da garota e a levaria para o hospital, para que os médicos lhe examinassem. A surpresa seria: um bilhete plastificado dentro de seu baço, com a seguinte oração: “O dinheiro pode salvar a vida de sua filha, mas não pode poupá-la da morte”.

     

    Ó! Tudo estaria acabado... todos iriam sentir sua falta... seus pais, que nunca lhe deram amor suficiente... seu namorado que sempre abusou dela com fantasias sexuais extravagantes saberia o quão boa ela sempre havia sido. Depois de alguns exames, descobririam que ela estava infectada com várias doenças, como Tuberculose, Mal de Chagas e até HIV positivo!

     

    Opa! Seu namorado sempre abusou dela com fantasias sexuais extragavantes? Ah! É mesmo! Eles estavam brincado de: sexo com grandes mártires da história... Ufa! Esse rapaz é extragavante mesmo!!!
    September 16

    Masculino

    Ele sente dificuldade ao lidar com pessoas.

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    Um homem homossexual continua sendo viril; não tem um erotismo feminino; sua essência ainda é visual; seu foco e falocentrismo funcionam da mesma forma que em um homem heterossexual. A diferença é que quando sente um gozo passivo, é consciente do gozo ativo. Para a psicanálise, a condição humana é passiva, mas como o homem não suporta se ver assim, cria situações que o mostre como ativo, como um herói. A culpa, por exemplo, é uma forma de tentar sentir-se ativo numa situação de perda.

    É próprio do homem tradicional – isso pode até ter uma raiz na biologia e seja uma tendência – desprezar suas vulnerabilidades e seus perigos. Isso, mais reforços culturais, explica porque homem tende a fazer grandes bobagens, pedir menos ajuda, ir menos ao médico, correr mais, investir mais e arriscar mais. Ele também não simpatiza com a vulnerabilidade do outro, por isso tem pouca rede social. Pode-se dizer que homens têm companheiros de atividades e mulheres têm redes de apoio.

     

    Ele sente sua falta.

    August 26

    Sustenta

    Para bom entendedor, meia palavra basta?

    O temperamento é aquilo de cunho biológico (não genético) que pode ter sido adquirido na gestação ou na infância, nele estão as disposições ou tendências que dependem da tramitação na vida, os traços do sujeito que necessitam de experiências para serem desenvolvidos ou atrofiados, uma experiência que os direcione, formando traumas e crenças. Freud foi o primeiro neurocientista que mostrou o caminho das experiências nos neurônios.

     

    _02_11_12_by_Phmall A “sorte” de ser um sagitariano com ascendente em gêmeos é que você se basta! (hahaha… como se eu acreditasse)

    August 07

    Contrato vitalício

    E eu vos declaro DSC00993 e DSC01020

    August 03

    Se seu coração parar de bater…

    Por favor, não me avise.

    26

    Por um espaço de liberdade de fala!

    25/07/2009 - 18h23

    Estudante é condenado a pagar indenização a colega por ofensa em e-mail

    Publicidade

    Colaboração a Folha Online

    A Justiça de Minas condenou um estudante de pós-graduação a pagar indenização de R$ 4.000 a uma colega após ofendê-la em um e-mail compartilhado por estudantes e professores. O caso aconteceu em 2007.

    Segundo a ação, o estudante de biologia vegetal enviou uma mensagem para um e-mail que era compartilhado por 52 pessoas, entre alunos e professores, chamando a colega de "imbecil". A mensagem ainda continha a frase "sua retardada, pare de mandar e-mails inúteis e arrume alguma coisa melhor para fazer", relata o processo.

    De acordo com a defesa, a mensagem causou abalo psicológico na estudante, por ser humilhada e exposta ao ridículo perante aquelas pessoas de seu convívio social.

    Com base no caso, os desembargadores Francisco Kupidlowski, Cláudia Maia e Nicolau Masselli concluíram que o caso era procedente e determinaram que o estudante pague a indenização de R$ 4.000. A decisão manteve a sentença dada anteriormente pelo juiz Maurício Torres Soares, da 15ª Vara Cível de Belo Horizonte.

    Na decisão, o relator do processo afirmou que "não é de bom tom um líder de turma se achar no direito de agredir verbalmente, ou querer chamar atenção de uma colega chamando-a de 'imbecil' e 'retardada'". Ele ainda ressaltou que a mensagem "teve repercussão e, definitivamente, de forma nociva à reputação da estudante, atingindo sua honra subjetiva".

     

     

    Agora, diz que esse país é livre! Quê que é isso, Brasil?

    July 19

    O caminho histórico da temporalidade é uma queda na qual o homem vai confrontando o pior de si.

    Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro
    Aniversário Dezembro Janeiro Fevereiro Maço Mamadeira Maio Junho Julho Agosto Hospital Hospital
    Casa Dezembro Janeiro Wellington Março Abril Mamãe Junho Julho Papai Setembro Outubro
    Wellington Natal Wellington Wellington Escola Escola Mamãe Tia Ivone Ivone Papai Escola Escola
    Hospital Natal Renato Wellington Escola Renato Mamãe Casamento Férias Papai Escola Criança
    Aniversário Viagem Animais Wellington Escola Índio Mamãe Thiago Casamento Avós Brasil Hospital
    Hospital Renato Geiza Wellington Thiago Rafael Geiza Michele Vampiros Animais Brasil Criança
    Bicicleta Viagem Geiza Escola Professora Michele Professora Avós Paulo Escola Andreia Criança
    Michele Rafael Renato Carnaval Professora Heloísa Heloísa Surra Casamento Escola Renato Hospital
    Geiza Wellington Renato Apartamento Escola Bonecos Renato Filipe Renato Renato Escola Paulo
    Aniversário Renato Lígia Lígia Lígia Lígia Mamãe Filipe Lígia Suzana Lígia Paulo
    Maria Fabiana Heloisa Heloisa Geiza Rafael Priscila Allan Allan Renato Fabiana Criança
    Rafael Lígia Paulo Wellington Maria Deus Adriane Filipe Casamento Kátia Thiago Kátia
    Família Igreja Vida Casamento Escola Allan Allan Gabriela Maria Allan Renato Suzana
    Lígia Férias Indaiatuba Família Escola Amigos Igreja Escola Aline Sabrina Iara Ivan
    Gustavo Família Joice Escola Wellington Casa Filipe Joice Família Casa Escola Wellington
    Aniversário Família Joice Escola Igreja Rafael Paulo Leila Joice Rafael Joice Escola
    Joice Joice Faculdade Escola Família Joice Cursinho Igreja Paulo Edson Gabriela Roberto
    Jean Vestibular Caroline Isaquellen Faculdade Aline Estudo Greve Rafael Hélio Igreja Faculdade
    Anderson André Aline Wellington Faculdade Carlos Anderson Estudo Victor Família Wellington Anderson
    Aniversário Família Dinheiro Edgard Thiago Ana Vida Rodrigo Avós Fernando Dinheiro Caroline
    Faculdade Casa Dinheiro Fabio Faculdade Dinheiro Ana Hélio Leandro Faculdade Edgard Caroline
    Vida Ana Apartamento Wellington Dinheiro Educação Greve Futuro Queda XXXXXXXX XXXXXXXX XXXXXXXX
    July 09

    LOSER: nenhuma manhã.

     

     

    Naqueles dias férteis, todas as pastas eram verdes para uma cama saudável. Pedro, Paulo, não lembro ao certo, estava bisbilhotando ondas e decotes ao entardecer. Mal se podia ver qualquer coisa que não um vulto, mas o interesse era tamanho que a dona até se demorava de prazer. O frangote, espelhando todos os grandes filmes de sua época, assobiava uma bela canção que nada dizia e nem mesmo podia ser reconhecida por aqueles que, como eu, apreciavam a cena que provava, acima de tudo, que meus pais estavam certos ao dizer: “Essas molecadas, viu!”

    Mano, tá tudo errado... deixa eu reomeçar...

    Tinha um carinha, daqueles de olhar maroto, chapéu de lado, gostosinho, saca? Pois é, então, o tal tava de bituca numa bichinha de dar água na boca... A mina tava lá, como quem não quer nada, só deixando o cara ver do que ele nunca poderia ter... tipo, de boa, sabe? Pois é, então, aí o tiozinho começou a sacar que a galera toda tava reparando no que tava acontecendo e começou a, tipo, mandá um k.o.

    Amnéris Maroni

        • “O mundo-do-eu é unitário; em geral é um mundo narcísico. O outro, nesse mundo, é pré-texto, não existe; para me relacionar com o outro no mundo-do-eu tenho de reduzi-lo a mim, a um pedaço do meu eu. No mundo de Narciso qualquer tentativa de percepção do outro como outro, como alteridade, é desestabililzadora para o eu. A apreensão da diferença radical não é possível, talvez porque o eu não perceba suas raízes no mundo do sem-fundo, é filho do sr. Fulano e da sra. Fulana de tal. Para esse ser-sem-raízes, o outro deve ser reduzido a um pedaço de si mesmo, da sua história, de alguma lembrança esquecida.”
    July 04

    Marca

        • nietzsche e dostoievski
                                1.  
                                2.  
                                3.  
                                4. Ele acordou ao meu lado. Lado do lado que era meu, na verdade. Passou por cantos e recostou ali, jogado. Como eu, menino, poderia imaginar tamanha arrogância, tão grande impasse, sublime deslocação? Não sei. A história é muito mais rápida que o tempo que eu levo pra contar. Impressionado e estático, não criou caso algum o malandro espectro floral da parede, esbaldou-se em filosofias (ultra)passadas sem sequer considerar meu sono, meu topor, minha ignorância. Foi sarcástico sacrilégio que transladou aquele corpo macio? Só isso explicaria o nascimento de soberana involuntariosa vontade de arrebatar-me em sonho para dentro dele. Egoísta! Sacana! Como eu poderia terminar meu caloroso espasmo longe de teus braços? Desatei a explodir repetidas vezes. Foi quando percebi que ficara para sempre maculado com o desejo de nunca ter sofrido um abraço.
    July 03

    How do i take that?

    “Aceito por personalidade.

    Nasci sujeito como os outros a erros e defeitos,

    Mas nunca ao erro de querer compreender demais,

    Nunca ao defeito de exigir do mundo

    Que fosse qualquer cousa que não fosse o mundo.”

    Alberto Caeiro

    July 01

    Qual é o seu nome?

    Quando eu disser que somente um nome pode brotar de minhas estórias, estarei mentindo. O volume de nomes acumulados, machucados, retardados, encaixados e maculados uns nos outros é tamanho que já não vejo mais o outro lado da pilha; não tenho perspectiva do horizonte e, exatamente por isso, ainda não encontrei “você”, nome próximo de paixão repentina e passageira que fará o resto do meu tempo um atordoante tormento silencioso.

    Meu caro, foi bom. Atenciosamente, Jonatas D’Angelo.

    A quantas anda o meu espetacular humor? Não sei. Acho que a vida bandida espreme a gente até sosobrar bolinhas de pelos e garras voadoras.

    O nome da vez, mais uma vez, é José.

    Entre o tanquinho e o fogão existem rios de contos e amargura que seria impossível narrar. Apenas direi os finalmentes e deixo os fatos em branco para não corromper seu julgamento.saturday_night_stories_by_yourmentalneighbour

    Eu sempre quis mais que pernas. Nunca somente duas, nunca presas às minhas. Acontece que, ao ver o ilustríssimo convidado da cabina número três sentado saltitante com seu novo amor, miniempalideci! Coisa rara, dado o sol costumeiro. Frases nominais são uma delícia. Por isso, perícia, coloquei meu alvo boné e fui, mais gostoso que nunca, observado’® até ser abandonado no ponto.

    June 27

    Epígrafe

    June 24

    Gente Substituta

    guitar

    Quem não encontra (procura) expliação pra existência, pega pratos verdes em festas silenciosas.

    Pequenino rapaz, nada nada especial, faz bocejos rosas no nascer da noite. Pelos deuses!

    O jornal digital está na tela. Perca uma pouco de tempo atendendo sua mãe, não?

    Tratando sobre o que importa. Clara, em Elizabethetown, disse: Somos apenas pessoas substitutas.

    Quero ser uma dessas…

    Pedaço de Brasil, esse (…) Jesus Luz.

    (Momento bicha linda e absoluta… Stefhani)

    June 21

    Comendo um domingo.

    Aquele padrão não me sai da cabeça. Todos os dias

    perdidos, caidos, brilhates. Devo dizer (…),

    sendo quartas as horas da tarde

    magra que se estica até

    amanhã?velvet_is_underground_by_ii1

    June 20

    Da traição – OLIVEIRA, Lucas.

    Sexta-feira, 9 da manhã. O celular toca. Não fosse a contentação de receber uma ligação depois de dias de esquecimento, me irritaria o desconforto de ser acordado em uma dia em que isentei o despertador de sua desagradável função: despertar. O despertador é uma das coisas que existem apenas para incomodar e acabar com o bom humor e o bem estar, assim como o fiscal da receita, a secretária eletrônica, o suor, as propagandas do horário nobre e os memorandos institucionais.

    Era a secretária da minha ortodontista, que me propunha adiantar a aplicação das placas de sustentação do aparelho fixo de 9 de fevereiro para 23 de janeiro. O ano é 2009.

    A fenda de luz da janela sorriu, metálica, para mim: chegara o momento da transformação ortodôntica! Dois detalhes frustravam a criação do sorriso nerd, tímido, infantilizado e mecânico que tanto esperei, no intuito de tornar-me rapidamente belo pós-retirada do aparato e de prejudicar a minha vida social durante o seu uso, o que permitiria maior concentração em questões acadêmicas, um desvio de energias da vida relacionamental para o intelecto e o fomento de uma nova personalidade introspectiva, analítica e densa. Os detalhes eram a falta do dinheiro e o meu horário de trabalho. Impedimentos frágeis, todavia. Tímido, feio e com os dentes rumando para a perfeita organização “next to to next to”, a utilização de adjetivos triplicados e o franzidinho de um nariz antipático convenceriam qualquer pessoa do meu poder “Ugly Betty”; está na moda ser feio.

    Posicionando-me como objeto de desejo, vitimizado pela má formação dos dentes, facilmente seduzi meu pai e conquistei o fomento para a primeira sessão com a profissional orientalesca que me lançaria rumo à condição dos intocáveis brilhantes possuidores de metais retentores de sujeiras alimentícias entre borrachinhas colorizadas! Pronto! Problema número um resolvido.

    Cheguei no trabalho às 14hs, duas horas e meia mais cedo do que o habitual. A sinceridade é sempre a melhor opção: “Fabi, hoje vou colocar aparelho. Eu tenho medo das dores e do sofrimento!”. Em resumo, não foi difícil conseguir duas horas, no meio da carga horária, para ir à seção da sessão de aplicação do meu futuro amigo mais íntimo, aquele me que ajudaria, que ocuparia os meus sorrisos, as minhas contorções dramáticas faciais, os meus almoços, o meu sono. Fui. No meio do caminho aproveitei para comprar uma sunga boxer negra, fato insignificante para a minha narrativa.

    Portaria. “RgXX.XXX.XXX-X”. “E os seus dentes?”. “Estão aqui, ansiosos pela correção ortodôntica! Se eu recuperar os moldes, deixo você ficar com um molar!”. “!”. Não foi difícil tornar-me amigo da recepcionista do prédio depois de mostrar-lhe o molde simpático do meus dentes e as minhas radiografias.

    Toquei a campainha uma vez. Toquei uma vez mais. E mais uma. Toquei a campainha, aflito, por dez minutos. A recepcionista não me atendia. Me deitei no chão para espiar sob a porta. Nenhuma luz acesa. Que anfronte! Dois senhores de terno me observaram enquanto esperavam o elevador. O que haveria de incomum na figura de um homem de 1,85m de altura, deitado ao piso do décimo nono, levantando-se compulsivamente para tocar a campainha, acompanhado da mochila bege, jogada, aberta, sôfrega, à aresta da porta? Pois havia algo estranho, diferente, ofensivo, sim: a ortodontista do homenzarrão não lhe tinha respeito! Justamente a japonesa ortodontista a quem havia sido confiada a prótese dentária branca, virgem, polida, as radiografias e as fotografias que revelavam as falhas em sua escovação. As provas máximas de uma relação íntima, da esperança paciente de um dois a dois construtivo, próspero e de finalidade estética e salubre. Mas o homenzarrão era tenaz! E mais: o homem era taciturno.

    Olá.

    Meu nome é Lucas. Eu tinha uma consulta marcada para as 17 horas de hoje. Esperei de 17:01 até 17:30, mas sequer fui atendido. Estou seguro de que não errei na data e hora da consulta, pois fui acordado às 9hs da manhã para receber a proposta da consulta, e não teria perdido um dia de trabalho por equívocos.

    Espero que haja uma justificativa plausível e drástica para este inconveniente.

    Obrigado, Lucas Oliveira.

    Fui embora, vitorioso.

    De volta ao dia de trabalho, envergonhado com a possibilidade de que os colegas pensassem que a minha saída para a suposta aplicação das placas de sustentação fosse uma farsa para acobertar a compra de qualquer coisa, como uma sunga negra, me fiz ofendido e transtornado com o desleixo e a falta de consideração da minha ortodontista, afinal, o mínimo, depois de me acordar e de provocar a sedução do próprio pai, seria me ligar e avisar a saída. Pronto, havia uma assembléia inteira que me apoiava: a ortodontista tornara-se uma vigarista, canalha, tresloucada, usurpadora. Mas uma pessoa não estava de acordo: seu nome era Paula. Paula é japonesa também. Apenas uma frase é suficiente para revelar toda a discórdia que a sua pequena vermelha língua orientalesca poderia causar:

    “E se ela morreu?”

    E se ela morreu.

    Em um debate, no fim do dia, voltei à questão: e se ela morreu? E então toda a assembléia se voltou contra mim, levantando possibilidades realmente plausíveis e drásticas sobre o ocorrido. Até que se revela um fato obscuro:

    “Será que fiz mal de deixar a cartinha?”

    Silêncio.

    “Você deixou uma cartinha?”

    “Sob a porta, pedindo uma explicação... drástica e plausível... pra me acordarem e me deixarem esperando”.

    Risadas. Risadas histéricas. Ponto de ônibus, solidão, trem, casa.

    “Have fun you happy people, the lies and the jokes on me.”

    Durante todo este trajeto, apenas uma coisa me ocupava a cabeça: quão passional posso ser? Uma vergonha enorme, católica, iminentemente violenta tomou conta de mim. Pouco poderia fazer para curar-me disso; pouco poderia fazer para reconstruir a minha relação com a ortodontista.

    Ok. O plano era: entrar no prédio, subir ao décimo nono, me debruçar uma vez mais, com um arame longo, fino e competente, recolher a carta, que, a esta altura, não teria sido levada pelo vento ou pela faxineira, rasgá-la, ligar para a recepcionista na segunda-feira próxima e gerar um escândalo com maior ponderação. Existem vergonhas que não podem ser enfrentadas, afinal, como poderia pedir meu molde dental para a pobre japonesa se ela estivesse morta? Como julgar, frente à recepcionista, se a sua morte, ou a morte de sua mãe, ou até mesmo a morte da recepcionista, era suficientemente drástica para me fazer obter nada mais do que uma sunga negra no fim de tarde da sexta-feira, e não as placas de sustentação do aparelho fixo que me elevariam à condição de nerd feio de intelecto intocável?

    Continua no próximo episódio.

    (Conto absolutamene roubado. Adorei)

    June 13

    Surdina

    Não podes. Não irás.